quarta-feira, 25 de março de 2009

FINAL DA TAÇA DA LIGA - RETRATO DO PAÍS?

O que se passou e está a passar em consequência da final da Taça da Liga realizada no passado sábado, dia 21 de Março de 2009, no Estádio Algarve será o paradigma da realidade social de Portugal?

Vamos ao facto que gerou tudo isto.
Foi marcada uma grande penalidade, inexistente, contra o Sporting. Dizem as regras, mas mesmo que não o dissessem, é do mais elementar bom senso que qualquer falta não pode nem deve ser marcada em caso de dúvida.
Ora, neste caso, nem dúvida podia haver, porque a falta marcada, pura e simplesmente, não existiu.
A falta foi inventada pelo árbitro que tendo receio de assumir a culpa sózinho procurou no auxiliar que não viu, absolutamente, nada, confirmou a grande penalidade.

Não vale a pena fazer juízos de valor.

O que importa reter é que não se trata de um erro.
O que aconteceu foi a invenção de uma falta de cuja marcação resultou um benefício indevido, e por isso injusto, para uma das equipas.

Da marcação da grande penalidade, inexistente, resultou a vitória da equipa beneficiária da decisão do árbitro. Esta mesma equipa foi beneficiada por uma decisão tomada à margem das leis e da realidade.

Daqui resultou um benefício provocado, mas injustificado.

As consequências desta decisão para além de beneficiarem, injustamente, uma das equipas prejudicou a outra. E a esta não lha assiste a mínima possibilidade de ser ressarcida.
Tudo isto é contrário a uma lógica de justiça.
A atribuição de benefícios indevida é no mínimo inaceitável, e porque causa prejuízos, ainda por cima significativos a outros, deveria ser alvo de condenação.
Mas nada disto aconteceu.
As instâncias responsáveis remetram-se ao silência quando não saíram em defesa de quem atribuiu benefícios injustificados.
O árbitro não poderá ficar impune perante o facto de ter causado, deliberadamente, o favorecimento de uma equipa.
E a equipa penalizada deveria ter direito a ser ressarcida dos prejuízos causados.
Esta deveria ser a prática, tal como acontece em muitas outras profissões.

Mas o pior está agora acontecer.
É que a instância que proteje o causador do árbitro instaurou um inquérito àqueles que se sentindo, injustamente, penalizados tiveram a coragem de expor a sua indignação.
No futebol parece haver uma dupla senão mesmo tripla penalização da vítima e protecção daqueles que beneficiam, indevidamente, de factos provocados à margem da lei e dos regulamentos.

A equipa a quem foi provocada a perca da Taça da Liga foi penalizada no seu prestígio pois foi-lhe retirado o troféu a que tinha direito, foi penalizada porque o valor do prémio foi só metade daquele a que tinha direito e vai, certamente, ver penalizados 4 dos seus membros.

Enquanto o árbitro que provocou tudo isto não foi alvo de qualquer inquérito nem se perspectiva que lhe sejam assacadas quaisquer respeonsbilidades pela sua atitude de todo injustificada.

Estamos a assistir a uma realidade surrealista, onde as vítimas depois de uma primeira penalização injusta e injustificada, sofrem consequências de natureza moral e financeira e porque tiveram a coragem de manifestar a sua indignação vão continuar a ser penalizados. Enquanto os causadores de tudo isto continuam impunes e protegidos e os benficiários indevidos continuam a sorrir e a aceitar tudo isto como natural.

Assim estamos a fazer uma caminho de autodestruição.
Está-se a proteger o prevaricador e a penalizar a vítima.
Não também isto que se está já a passar na sociedade portuguesa e mundial?

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